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Minha História em São Lucas
Minha
formação religiosa, como de minha família, é católico romana e
desde tenra idade procurei seguir seus preceitos, Tornei-me coroinha
da Igreja Santa Margarida Maria, dirigida naquele tempo por padres
holandeses. Ali tive minhas primeiras aulas de catecismo pelas mãos
de Mãe Lia Bertrand, uma senhora bondosa de quem até hoje lembro
com saudades, e aprendi todo aquele responsório em latim. Era muito
compenetrado e devotado. Tinha dias em que eu ajudava quatro missas
seguidas. Assim segui por quase toda minha juventude.
Depois
que me tornei adulto fui me afastando da religiosidade até que me
encontrei totalmente perdido e sentia que muito me faltava em termos
de fé. Por muito tempo tentei voltar ao catolicismo romano, mas já
era tarde. Eujá havia pecado demais e não Unha mais o direito
pleno, a mim era proibida a Santa Eucaristia.Assim mesmo eu
continuei a freqüentar as missas com muitas dúvidas em meu coração.
Sentia‑me um exilado religioso. Dentro de mim estava o peso de
minha formação, em que a figura do diabo e do inferno prevaleciam
e sobrepujavam os mandamentos de amar Deus e ao próximo. Eu devia
muito e não tinha mais salvação, estava condenado, e o máximo
que eu poderia aspirar seda o purgatório, e eu aqui pensava com
meus botões que não havia de ser deste modo, meus defeitos são
iguais aos de todos, eu cumpro bem meus deveres civis, de chefe de
família, de pai e "mãe"
de duas meninas maravilhosas. Ora, não fosse eu merecedor, Deus não
teria colocado a grande mulher Angela em meu caminho para que
retomasse a busca do elo perdido de minha vida, e junto com ela, sua
filha, a quem reservo carinho e educação como às minhas.
Agora
entra o fato mais importante que costumo contar como engraçado, mas
é na verdade a prova incontestável da intercessão do Espírito
Santo. A mão Divina. Estava
afastado de qualquer religião por mais ou menos vinte anos e sentia
que me faltava alguma coisa, poderia até buscar seitas e religiões
que me acolhessem, mas o sentimento cristão permanecia arraigado
dentro de mim e não queda me sentir como um condenado. Contudo,
tentava voltar para a Igreja Romana e não conseguia encontrar o vínculo
entre a pessoa e Deus. Mesmo assim continuava indo à missa
normalmente.
Acontece
que, há mais ou menos quatro anos, em um determinado domingo, eu
estava em Nova York e a Transbrasil havia mudado o nosso hotel de
pernoite por um outro no centro financeiro, longe da Catedral Saint
Patrick (romana) onde eu costumava assistir a missa. Fui caminhando
pela rua em busca de uma igreja, o que não foi difícil pois logo
encontrei. Entrei e a missa havia começado há pouco. Os cânticos
e a liturgia eram belíssimos, Lá pelas tantas comecei a perceber
que o culto era dirigido por uma mulher. Aí entra o que eu costumo
contar como engraçado: "Xi!
Entrei na Igreja errada", Mas mesmo assim lá permaneci,
quieto e meio que escondido ao lado de uma coluna do templo, achando
que tinha invadido um espaço ao qual não pertencia. Foi quando
senti que alguma coisa mais forte lá me prendia e comecei a chorar
compulsivamente. Meus olhos, cheios de lágrimas, que mais pareciam
puros cristais, passavam a ter uma nova visão e, sobre meus ombros
podia sentir uma mão forte, a mão do Deus Filho, a mão de Jesus.
Eu havia entrado na igreja ceda, estava na Igreja Anglicana (Trinity
Church). Acabava de encontrar meu elo perdido. (Nesse
exato momento dou uma pausa em meu relato de fé, estou chorando
como se voltasse ao passado). Ao final do culto procurei um membro
da igreja e me atendeu o Revdo. Jamie Callaway que me convidou a
voltar ao templo, agora vazio. Sentados em um banco conversamos
demoradamente. Lembro-me muito bem de suas palavras finais 1gor... o
mais importante é você perceber o que Jesus está tentando dizer
ao seu coração". Sinto saudades, depois disso nunca o vi. Foi
meu último vôo para Nova York, mas sei que irei reencontrá-lo.
Bem,
de volta ao Brasil liguei para o Bispo Sidney, como havia
recomendado o Revelo. Callaway, e ele me deu o telefone da Paróquia
de São Lucas, por sera mais próxima de minha residência.
Aqui
eu reencontrei Jesus em sua morada e seus coabitantes. Aqui eu
encontrei o Cônego Celso Franco, meu pastor, de sabedoria grandiosa
e que me ensina o evangelho, mais do que ensina, mostra o caminho
sem me dizer onde tenho que pisar ouse tenho que estar descalço ou
de sapatos. Falo primeiramente dele, porque foi meu contato inicial,
sem esquecer o Bispo Sherrill a quem reservo o mais profundo
respeito, porseu conhecimento religioso e sabedoria de vida, mesmo
quando está humildemente sentado ao meu lado nas aulas de estudo bíblico.
É o mestre junto aos discípulos, suas doces palavras e seu meigo
olhar transmitem ensinamentos de forma incontestável. Às vezes
penso, ao aproximar-me dele, se não estada invadindo um terreno
superior, mas ao mesmo momento sinto que ele é aquela coluna da
Trinity Church, onde me recostei quase que escondido, e que posso
repousar a cabeça em seu ombro. É um pilar de nossa igreja.
Aqui,
eu e Angela encontramos irmãos, sem distinções com quem
comungamos nossa fé e dividimos nossas orações sem medo. Foi
assim em nossa confirmação e de nossa filha mais velha, um momento
de muita emoção, quando já podíamos nos dizer anglicanos. É bom
~ar que este testemunho não é somente meu, é dela também. Não
fosse nada disso ter acontecido, ela não estada na mesma jornada,
Deus nos uniu para mostrar um caminho, e nele chegamos às Bodas, um
casamento com muita fé, uma cerimônia religiosa na expressão da
palavra, foi para nós um ato litúrgico perante Deus, a quem
sentimos plenamente sua presença o tempo todo. Como Jesus era
festeiro e não dispensava uma taça de vinho, é claro que estava
~te também à recepção que se seguiu. Senão, não teria sido
bonita e alegre como se viu. Ele foi o primeiro a chegar e o último
a sair.
Durante
nossas vidas perdemos elos que, conscientemente ou não, deixamos
para traz e depois, temos que sair catando pedaços para de novo
ligar a corrente da existência. Este nosso elo está depositado na
igreja anglicana, não é de ouro ou prata, nem de metal algum, é
feito de um material indestrutível. Ele é feito de FÉ e AMOR.
Aqui
nós descobrimos; a Igreja primitiva, aquela que ensina a Bíblia de
forma simples e sem rodeios em que nosso dever maior é amar a Deus
sobre todas as coisas. Descobri também, que todos têm salvação,
ate eu. Desrinistifiquei as figuras do diabo e do inferno, as quais
eu temia, em lugar de simplesmente adorar a Deus, encontrei a graça
e a misericórdia.
Hoje, tanto eu quanto Angela, enchemos o peito de orgulho
par dizer que somos anglicanos. Enfim, reencontramos
a fé.
Igor Senez
EVELYN UNDERHILL
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