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Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocese Anglicana do Rio de Janeiro


PARÓQUIA DE SÃO LUCAS

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Minha História em São Lucas



Minha formação religiosa, como de minha família, é católico romana e desde tenra idade procurei seguir seus preceitos, Tornei-me coroinha da Igreja Santa Margarida Maria, dirigida naquele tempo por padres holandeses. Ali tive minhas primeiras aulas de catecismo pelas mãos de Mãe Lia Bertrand, uma senhora bondosa de quem até hoje lembro com saudades, e aprendi todo aquele responsório em latim. Era muito compenetrado e devotado. Tinha dias em que eu ajudava quatro missas seguidas. Assim segui por quase toda minha juventude.

 Depois que me tornei adulto fui me afastando da religiosidade até que me encontrei totalmente perdido e sentia que muito me faltava em termos de fé. Por muito tempo tentei voltar ao catolicismo romano, mas já era tarde. Eujá havia pecado demais e não Unha mais o direito pleno, a mim era proibida a Santa Eucaristia.Assim mesmo eu continuei a freqüentar as missas com muitas dúvidas em meu coração. Sentia‑me um exilado religioso. Dentro de mim estava o peso de minha formação, em que a figura do diabo e do inferno prevaleciam e sobrepujavam os mandamentos de amar Deus e ao próximo. Eu devia muito e não tinha mais salvação, estava condenado, e o máximo que eu poderia aspirar seda o purgatório, e eu aqui pensava com meus botões que não havia de ser deste modo, meus defeitos são iguais aos de todos, eu cumpro bem meus deveres civis, de chefe de família, de pai e  "mãe" de duas meninas maravilhosas. Ora, não fosse eu merecedor, Deus não teria colocado a grande mulher Angela em meu caminho para que retomasse a busca do elo perdido de minha vida, e junto com ela, sua filha, a quem reservo carinho e educação como às minhas.

 Agora entra o fato mais importante que costumo contar como engraçado, mas é na verdade a prova incontestável da intercessão do Espírito Santo. A mão Divina. Estava afastado de qualquer religião por mais ou menos vinte anos e sentia que me faltava alguma coisa, poderia até buscar seitas e religiões que me acolhessem, mas o sentimento cristão permanecia arraigado dentro de mim e não queda me sentir como um condenado. Contudo, tentava voltar para a Igreja Romana e não conseguia encontrar o vínculo entre a pessoa e Deus. Mesmo assim continuava indo à missa normalmente. 

Acontece que, há mais ou menos quatro anos, em um determinado domingo, eu estava em Nova York e a Transbrasil havia mudado o nosso hotel de pernoite por um outro no centro financeiro, longe da Catedral Saint Patrick (romana) onde eu costumava assistir a missa. Fui caminhando pela rua em busca de uma igreja, o que não foi difícil pois logo encontrei. Entrei e a missa havia começado há pouco. Os cânticos e a liturgia eram belíssimos, Lá pelas tantas comecei a perceber que o culto era dirigido por uma mulher. Aí entra o que eu costumo contar como engraçado: "Xi!  Entrei na Igreja errada", Mas mesmo assim lá permaneci, quieto e meio que escondido ao lado de uma coluna do templo, achando que tinha invadido um espaço ao qual não pertencia. Foi quando senti que alguma coisa mais forte lá me prendia e comecei a chorar compulsivamente. Meus olhos, cheios de lágrimas, que mais pareciam puros cristais, passavam a ter uma nova visão e, sobre meus ombros podia sentir uma mão forte, a mão do Deus Filho, a mão de Jesus. Eu havia entrado na igreja ceda, estava na Igreja Anglicana (Trinity Church). Acabava de encontrar meu elo perdido.  (Nesse exato momento dou uma pausa em meu relato de fé, estou chorando como se voltasse ao passado). Ao final do culto procurei um membro da igreja e me atendeu o Revdo. Jamie Callaway que me convidou a voltar ao templo, agora vazio. Sentados em um banco conversamos demoradamente. Lembro-me muito bem de suas palavras finais 1gor... o mais importante é você perceber o que Jesus está tentando dizer ao seu coração". Sinto saudades, depois disso nunca o vi. Foi meu último vôo para Nova York, mas sei que irei reencontrá-lo.

 Bem, de volta ao Brasil liguei para o Bispo Sidney, como havia recomendado o Revelo. Callaway, e ele me deu o telefone da Paróquia de São Lucas, por sera mais próxima de minha residência.

 Aqui eu reencontrei Jesus em sua morada e seus coabitantes. Aqui eu encontrei o Cônego Celso Franco, meu pastor, de sabedoria grandiosa e que me ensina o evangelho, mais do que ensina, mostra o caminho sem me dizer onde tenho que pisar ouse tenho que estar descalço ou de sapatos. Falo primeiramente dele, porque foi meu contato inicial, sem esquecer o Bispo Sherrill a quem reservo o mais profundo respeito, porseu conhecimento religioso e sabedoria de vida, mesmo quando está humildemente sentado ao meu lado nas aulas de estudo bíblico. É o mestre junto aos discípulos, suas doces palavras e seu meigo olhar transmitem ensinamentos de forma incontestável. Às vezes penso, ao aproximar-me dele, se não estada invadindo um terreno superior, mas ao mesmo momento sinto que ele é aquela coluna da Trinity Church, onde me recostei quase que escondido, e que posso repousar a cabeça em seu ombro. É um pilar de nossa igreja.

 Aqui, eu e Angela encontramos irmãos, sem distinções com quem comungamos nossa fé e dividimos nossas orações sem medo. Foi assim em nossa confirmação e de nossa filha mais velha, um momento de muita emoção, quando já podíamos nos dizer anglicanos. É bom ~ar que este testemunho não é somente meu, é dela também. Não fosse nada disso ter acontecido, ela não estada na mesma jornada, Deus nos uniu para mostrar um caminho, e nele chegamos às Bodas, um casamento com muita fé, uma cerimônia religiosa na expressão da palavra, foi para nós um ato litúrgico perante Deus, a quem sentimos plenamente sua presença o tempo todo. Como Jesus era festeiro e não dispensava uma taça de vinho, é claro que estava ~te também à recepção que se seguiu. Senão, não teria sido bonita e alegre como se viu. Ele foi o primeiro a chegar e o último a sair.

 Durante nossas vidas perdemos elos que, conscientemente ou não, deixamos para traz e depois, temos que sair catando pedaços para de novo ligar a corrente da existência. Este nosso elo está depositado na igreja anglicana, não é de ouro ou prata, nem de metal algum, é feito de um material indestrutível. Ele é feito de FÉ e AMOR. 

Aqui nós descobrimos; a Igreja primitiva, aquela que ensina a Bíblia de forma simples e sem rodeios em que nosso dever maior é amar a Deus sobre todas as coisas. Descobri também, que todos têm salvação, ate eu. Desrinistifiquei as figuras do diabo e do inferno, as quais eu temia, em lugar de simplesmente adorar a Deus, encontrei a graça e a misericórdia.

 

            Hoje, tanto eu quanto Angela, enchemos o peito de orgulho par dizer que somos anglicanos. Enfim, reencontramos a fé.

             Igor Senez

  EVELYN UNDERHILL




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