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Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocese Anglicana do Rio de Janeiro


PARÓQUIA DE SÃO LUCAS

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Da Liturgia.

Art. 1º - É obrigatório nos ofícios públicos regulares de todas as paróquias e missões o uso da liturgia oficial da igreja.

Parágrafo único - É dever de todo ministro designar para uso em sua congregação hinos e antífonas autorizadas por esta igreja, ou pelo bispo diocesano, bem como autorizar o uso de instrumentos musicais adequados.

ATITUDE CRISTÃ E VIDA DEVOCIONAL

Este pequeno comentário sobre a vida devocional de uma pessoa cristã vocacionada para o ministério leigo, consta de duas abordagens sobre a adoração:

A adoração: resposta individual e coletiva ao amor de Deus

Na Bíblia, encontramos uma compreensão de adoração muito clara: adorar é servir a Deus, numa resposta de fé e amor ao Senhor que se revela, justo e misericordioso, agindo em favor de seu povo. Na experiência decisiva de Êxodo, da libertação do Egito, por exemplo, Moisés diz ao Faraó que é preciso levar o povo para o deserto, para servir a Deus, para fazer-Lhe uma “festa”.

Leiamos Êxodo 3:1-10 (chamado de Moisés) e Êxodo 5:1-3 (conversa com o Faraó) e veremos que não é à toa que os verbos adorar e servir são usados freqüentemente como sinônimos na Escritura Sagrada.

É necessário responder ao Deus da vida que se revelou na História e que ainda hoje se revela na vida da humanidade. A adoração é essa resposta; é a nossa parte no diálogo com o Senhor da História. Alguns autores cristãos afirmam que o ser humano é vocacionado para essa relação de diálogo com Deus e, por conseguinte, com a humanidade toda e com toda a natureza criada.

No livro “Rezar em Comunidade”, o frei Alberto Beckhäuser, diz que o ser humano é um “ser vocacionado é ser orientado para o próprio Deus, chamado a participar de sua vida, do seu amor” . Valendo-se do modelo de Cristo e seu tríplice ministério de Rei/Profeta/Sacerdote, este autor afirma sobre o ser humano: “Sendo uma criatura voltada para Deus na fé, ele é o sacerdote que dá a Deus uma resposta de obediência, reconhecendo sua condição de criatura; sendo, na esperança rei da criação, ele dá sentido a todas as coisas e as orienta, como sacerdote, para o Criador, sem deixar-se escravizar, ou tornar-se dono absoluto. É o respeito diante da criação, que constitui a atitude de pobre, porque rico de Deus. É, no entanto, também um ser relacionado com o próximo: a comunidade conjugal e, logicamente, a fraterna e social. Neste relacionamento existe o amor, a caridade que aponta para Deus, constituindo-se desta forma profeta para o seu próximo.”

O autor acrescenta que o pecado humano é a raíz do afastamento do ser humano do seu Criador, de seus irmãos e irmãs e de toda a natureza criada. Então, o autor aponta a conversão como o caminho para o restabelecimento do diálogo, em todos os seus níveis. Diz ele: “a conversão torna-se, pois, um contínuo voltar-se para Deus, para o próximo e para a natureza criada, segundo Deus, tornando-se a própria realização da vocação integral do homem. (...) Quem o reintegra em sua vocação é o próprio Deus ...”

O autor apresenta a oração como expressão desse desejo de diálogo, de comunhão. Define-a como “uma experiência de comunicação com o divino, diretamente, ou através do próximo e da natureza criada”. Diz ainda que: “orar é perguntar sobre o sentido da vida”. Apresenta tipos ou facetas da oração: “oração-procura; oração-resposta e oração-união”. Diz mais: O ser humano “tenta sempre, de novo, orientar tudo para o fim último que é a vida em Deus”.

E ele apresenta dois caminhos para este encontro de comunhão: a oração particular e a oração comunitária. Diz ainda que prefere a palavra particular ao uso da palavra pessoal, pois as experiências de oração devem sempre ser pessoais. Para Beckhäuser, as duas formas de oração se complementam e se alimentam mutuamente. “A oração individual ou particular prepara e alimenta a oração comunitária”, e esta “por sua vez, é fonte e ápice da oração individual, pois na oração comunitária temos a garantia da especial presença de Cristo”. Tal é a vinculação entre essas duas experiências de oração que o autor afirma: “a oração comunitária terá que ser como que preparada ou alimentada pela oração individual”. E mais ainda: “a nossa oração comunitária ou litúrgica será intensa e profunda na medida em que a nossa oração individual o for”.

Nós, que dominicalmente participamos da liturgia, precisamos lembrar que: “... não pode haver um autêntico culto cristão, se não for suscitado pela fé que responde à Palavra de Deus. Não pode haver verdadeira oferta do sacrifício eucarístico, se não for inserida no esforço pastoral para formar uma comunidade cristã que oferece sua vida integralmente segundo o plano de Deus e que na Eucaristia expressa sua oferta e encontra a graça de Cristo para crescer na santidade e na coerência da vida com o Evangelho.”. (Documento da CNBB). Por isso é que começamos a semana ao redor da Mesa do Senhor, rendendo nossas vidas a Ele, trazendo o que somos e o que temos, além da vida e das necessidades do mundo.

Na adoração dá-se o diálogo, o encontro, a comunhão. Tudo isto pela graça de Deus, que se importa conosco e nos convida a participar de Sua vida e de seu mundo, a despeito de nossas omissões e das faltas cometidas na vida comunitária, quando pretendemos moldar o ser e a vontade de Deus aos nossos próprios padrões ou concepções teológicas ou eclesiásticas.

A adoração: fundamento da vida do(a) ministro(a) cristã(o)

“Adorar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purgar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, consagrar a vontade ao propósito de Deus.” (Arcebispo William Temple, Arcebispo de Cantuária)

“Se a adoração não nos transformar, ela não é adoração. Se a adoração não nos impulsionar para maior obediência, ela não é adoração. Assim como a adoração começa em santa expectativa, ela termina em santa obediência. A santa obediência evita que a adoração se torne um narcótico, uma fuga das necessidades prementes da vida moderna. A adoração habilita-nos a ouvir com clareza o chamado (de Deus) para o serviço ...” (Richard Foster)

Certamente encontraremos na adoração os recursos fundamentais para enfrentar as dúvidas e inquietações que surgem no ministério.

A coerência e a credibilidade de um(a) ministro(a) estão alicerçadas na vida de adoração. Uma pessoa que não ora regularmente, que não lê a Sagrada Escritura, que não medita e que não aprofunda a sua vida sacramental, dificilmente terá autoridade moral e pastoral para apascentar o povo de Deus. Como poderá saciar a sede de seu irmão aquele que não conhece a fonte d’ água?

Diz um Documento da CNBB, de 1974, sobre a Espiritualidade do Ministro: “...entendemos por espiritualidade, não simplesmente a reflexão ou especulação sobre o ideal de vida da pessoa, nem tão-somente um conjunto de práticas de piedade, mas a orientação global que a pessoa conscientemente imprime a sua vida visando a interiorizar e expressar certos valores.” (Documento da CNBB)

A adoração ao Deus Trino implica que o(a) ministro(a) assuma plenamente a sua vocação humana, batismal e ministerial.

Essa espiritualidade, essa vida de adoração, deve ser uma espiritualidade encarnada, seguindo o modelo de Jesus Cristo. Ser uma pessoa solidária, aberta e receptiva aos outros, com suas vidas e problemas; ser uma pessoa crítica sem ser cáustica; ser pastor sem paternalismo; ser uma pessoa companheira do seu povo (suas irmãs e irmãos), sabendo distinguir sua função e seu ministério. É preciso ser moldado, deixar-se transformar pelo amor e pela graça de Deus, pela vida e pelo apoio dos fiéis e pela cumplicidade dos irmãos e irmãs na fé em Jesus Cristo.

Estes são os fundamentos da vida do(a) ministro(a), fundamentado na adoração do Senhor.

Rev. Eduardo Grillo, OST.

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