A PRÁTICA PASTORAL DOS SACRAMENTOS
Rev. Eduardo Grillo, OST - Junho, 1998
A Igreja nos ensina que os sacramentos são meios de graça, ou seja, são formas através das quais o amor salvador de Deus chega até nós. Aprendemos no antigo catecismo da IEAB a definição de sacramento: “sacramento é um sinal externo visível de uma graça interna espiritual”.
Isto pressupõe que um sacramento é dividido em duas partes. A primeira vem da primeira metade da definição acima. Um sinal é algo que aponta para algo que é maior que ele próprio. Por exemplo, uma placa, num poste, com a palavra escola aponta para algo maior que a própria placa. A placa não é a escola, apenas indica que há uma escola nas proximidades. Continuemos, então. Externo é algo que está fora de nós ou de nosso corpo. Por exemplo, existem remédios de uso interno, como xaropes e comprimidos e há remédios de uso externo, como pomadas e loções. Finalmente, visível é algo que podemos enxergar. Desse modo, a primeira parte da definição de sacramento é caracterizada pelo uso de gestos e elementos concretos que sentimos e enxergamos e que apontam para uma realidade maior.
A segunda parte do sacramento, às vezes, é mais difícil de ser percebida. Ela acontece dentro de nós sem que possamos medir sua intensidade. Por isso, é interna. Nós não a vemos, mas ela acontece de modo maravilhoso. Por isso, é espiritual. E isso tudo não acontece porque nós queremos ou fazemos alguma coisa. É um presente, um dom de Deus, uma graça (“charis”) oferecida.
Falar assim pode tornar as coisas difíceis de entender. Então, vamos analisar cada um dos sacramentos e ver como se caracterizam essas duas partes.
SANTO BATISMO
Qualquer pessoa que tenha participado de uma celebração do Santo Batismo deve ter percebido o uso de elementos visíveis que tentam traduzir o profundo simbolizo da iniciação cristã marcada por esse sacramento. A água, o óleo e a vela (círio) são os sinais externos visíveis. A água simboliza a morte para o pecado e o ressurgir para uma nova vida. O óleo simboliza a unção (escolha) do Espírito Santo que nos consagra para essa nova vida. Por fim, a vela batismal simboliza a luz do Cristo ressurreto e vitorioso que nos ilumina nos caminhos da vida.
O sacramento do Batismo é único, só acontece uma vez. Deve ser preferencialmente realizado na celebração principal da comunidade, num sinal do compromisso de toda a comunidade com a pessoa que se agrega à família do Senhor.
O Livro de Oração Comum, a partir da página 162, traz todas as informações pastorais e litúrgicas a respeito da celebração deste sacramento, desde o texto do rito em si, sugestões de leituras bíblicas e orações apropriadas, além da previsão de datas especiais para o batismo ser celebrado, o papel dos padrinhos (testemunhas, fiadores), entre outras coisas.
SANTA EUCARISTIA
A vida de adoração da Igreja é centrada na Santa Eucaristia, na Santa Comunhão do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Livro de Oração Comum afirma que a Santa Eucaristia é o ato central de adoração do povo de Deus
Ao participarmos da mesa eucarística, experimentamos a graça da comunhão maravilhosa com Deus, nutrindo-nos, por sua presença real, nos dons do pão e vinho. Nós não explicamos onde está e quanto de Deus há no pão e no vinho. Apenas afirmamos que sacramentalmente nos alimentamos do próprio Deus que se oferece a nós por seu infinito e misericordioso amor. Pão e Vinho são os sinais externos visíveis da graça interna espiritual da presença de Cristo em nós, quando Dele nos nutrimos.
A Santa Eucaristia é um sacramento de unidade, “pois embora muitos, somos um só Corpo.” A comunidade reunida celebra a presença viva de Cristo no sacramento do seu Corpo e Sangue. É o alimento do povo de Deus e o requisito essencial para participar deste banquete da família de Deus é ser batizado, é ser membro desta família.. A Santa Eucaristia é um sacramento permanente, que nos acompanha em toda a nossa vida de fé e discipulado. Na Mesa do Senhor somos todos iguais, aceitos por Deus que nos reúne, nos alimenta e nos envia ao mundo para viver e proclamar o seu amor.
O Livro de Oração Comum traz todas as orientações de como deve ser celebrada a Santa Eucaristia, apresentando-nos dois ritos completos (I e II) e mais duas orações eucarísticas alternativas A e B.
CONFIRMAÇÃO
Nos primeiros tempos da Igreja a Confirmação não era distinta do Batismo. Com início da prática do batismo de crianças, foi necessário a existência de um outro ato sacramental que marcasse o compromisso pessoal, público e definitivo com Jesus Cristo e sua Igreja. As promessas da Confirmação são muito semelhantes as do Batismo.
Para muitos, a Confirmação é o sacramento da maturidade cristã, ou ainda para alguns, uma espécie de “ordenação ao laicato pleno ” da Igreja. Isto significa que a Confirmação deve ocorrer quando uma pessoa quer real e conscientemente , de vontade livre e espontânea, assumir o compromisso da vida cristã em uma paróquia ou missão da Igreja. É um sacramento único e permanente, pois só acontece uma vez na vida.
O sinal externo neste sacramento é a imposição das mãos, pelo Bispo, sobre a cabeça do(a) confirmando(a), ungindo-o(a) com um óleo apropriado, chamado de crisma.
O sinal interno da Confirmação é o dom do Espírito Santo, graça inestimável de Deus que nos habilita, ampara e sustenta numa vida de discipulado e compromisso com o Reino.
Pastoralmente, apontamos algumas considerações básicas: não há idade mínima ou máxima, o critério é o discernimento; o requisito básico é a pessoa ser batizada; deve haver instrução prévia das pessoas candidatas à Confirmação; é recomendável que a pessoa seja comungante e que tenha algum tipo de envolvimento na comunidade.
O Livro de Oração Comum traz as orientações necessárias e o texto do rito da Confirmação das páginas 174 a 181.
A Prática Pastoral dos Sacramentos (II)
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